Escritor e jornalista Homero Fonseca morre aos 77 anos no Recife

Jornalismo pernambucano perde Homero Fonseca Morreu neste sábado (22), no Recife, o jornalista e escritor Homero Fonseca, aos 77 anos. Autor de livros sobre a ...

Escritor e jornalista Homero Fonseca morre aos 77 anos no Recife
Escritor e jornalista Homero Fonseca morre aos 77 anos no Recife (Foto: Reprodução)

Jornalismo pernambucano perde Homero Fonseca Morreu neste sábado (22), no Recife, o jornalista e escritor Homero Fonseca, aos 77 anos. Autor de livros sobre a história e a cultura do estado e com longa carreira na imprensa escrita, o intelectual faleceu em decorrência de um câncer no pâncreas, de acordo com apuração da TV Globo (veja vídeo acima). Natural de Bezerros, no Agreste do estado, Homero Fonseca teve uma longa carreira no jornalismo e passou pelas redações de jornais como o Diario de Pernambuco, onde foi editor-chefe, e Folha de Pernambuco, além da Revista Continente. Autor de inúmeras publicações, venceu o Prêmio Off Flip de Literatura 2024 , de Paraty (RJ), na categoria Contos (veja lista de obras literárias dele ao fim desta reportagem). ✅ Receba as notícias do g1 PE no WhatsApp O corpo de Homero Fonseca é velado no domingo (22), das 12h às 18h, no Cemitério Morada da Paz, na cidade de Paulista, no Grande Recife. "Recebi com tristeza a notícia da morte do jornalista e escritor Homero Fonseca, aos 77 anos. Pernambuco perde um nome importante da imprensa e da literatura, dono de uma trajetória marcada pelo compromisso com a cultura, a memória e as histórias do nosso povo. Registro minha solidariedade aos familiares, amigos, colegas e leitores", disse a senadora Teresa Leitão (PT) numa postagem no Instagram. O jornalista transformou em livro a história de uma das maiores fake news da história de Pernambuco: o suposto rompimento da Barragem de Tapacurá, localizada entre as cidades de São Lourenço da Mata, no Grande Recife, e Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata, em 1975. Em 2025, o caso da barragem que nunca rompeu completou 50 anos e ainda desperta a lembrança da onda de pânico que provocou no estado. Além de "Viagem ao planeta dos boatos", lançado em 1995 e com uma nova edição publicada em 2011, Homero Fonseca também fez sucesso com o livro "Roliúde: um romance pitoresco, aventuroso e cinematográfico", de 2007. Essa última obra, que apresenta a saga de Bibiu, um contador de causos nordestino numa odisseia, chegou a ser adaptada para o teatro. Homero Fonseca também escreveu sobre a história dos nomes de todos os 185 municípios do estado no livro "Pernambucania: o que há nos nomes das nossas cidades", em 2006, e fez a biografia do livreiro Tarcísio Pereira, morto em 2021 e fundador da história livraria pernambucana Livro 7 e criador do bloco "Nóis sofre, mas nóis goza". O jornalista e escritor Homero Fonseca em reportagem à TV Globo em julho de 2025 sobre o boato de Tapacurá Reprodução / TV Globo O boato de Tapacurá Tema de um dos principais livros de Homero Fonseca, o boato de que "Tapacurá estourou" apavorou uma geração inteira de pernambucanos da Região Metropolitana do Recife em julho de 1975. O pânico generalizado aconteceu quatro dias após as fortes enchentes que provocaram a morte de 107 pessoas no Grande Recife. De acordo com a pesquisa de Homero Fonseca, que era correspondente de jornal no Recife, o boato teria surgido na Avenida Caxangá, uma das mais atingidas pela cheia. O comentário do estouro da barragem foi se espalhando no "boca a boca" e, através das rádios, causou pânico na cidade. "Eu fiquei apavorado na hora também, mas a gente manteve a calma e resolveu procurar as autoridades, que negaram a informação. Mas o caos já estava tomado, não havia ordem na cidade", contou Homero Fonseca em reportagem ao g1 em 2012. O boato de Tapacurá foi tão forte que foi parcialmente revivido na Região Metropolitana do Recife durante fortes chuvas que atingiram a região em julho de 2011. A liberação de parte da água da Barragem de Carpina, na Zona da Mata, para dar vazão à quantidade acumulada que vinha do interior, foi suficiente para instaurar um novo caos. Obras de Homero Fonseca O último livro lançado pelo jornalista foi "Jornais em Guerra - A Imprensa na Confederação do Equador (1823-1825)", em julho de 2026, em que narra a cobertura da imprensa sobre essa revolução que marcou a história de Pernambuco e do Brasil. Confira abaixo algumas das obras publicadas por Homero Fonseca: "Viagem ao Planeta dos Boatos" (1995); "Roliúde: Um romance picaresco", aventuroso e cinematográfico" (2007); "Tapacurá: Viagem ao Planeta dos Boatos" (2011); "A Vida é Fêmea: contos eróticos" (2016); "1968: Abaixo às ditaduras" (2018); "Carlos Garcia - Um Mestre no Meio do Redemoinho" (2017); "Blogosfera" (2018); "Jaraguá: um Herói Inzoneiro" (2020); "O computador que queria ser gente" (2022); "Tarcísio Pereira: todos os livros do mundo" (2022); "Jornais em Guerra - A Imprensa na Confederação do Equador (1823-1825)" (2026). ⬆️ Voltar ao início desta reportagem. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias